Sou o Toi Alberto, também conhecido por Tóbé, não vou revelar a idade porque é coisa pessoal, e apesar desta alcunha amaricada sou muito macho e a prova disso é que não depilo o peito quando vou a Armação de Pêra em Agosto e sou do Benfica. Desde pequeno que senti que era heterossexual. Ainda estava na escola primária e já só pensava nos bicos das mamas da professora e em ler a parte mais erótica da Revista Maria que a minha mãe comprava religiosamente todas as semanas, para praticar com o meu pai as posições sexuais que lá vinham numa rúbrica. O meu avô já era, o meu pai já era e eu quis continuar esta tradição de família. Está vendo aquela foto ali daquele senhor com bigode? Era o meu trisavô, um verdadeiro macho latino! Aquele bigode esteve entre mais de cem pares de pernas de mulheres de todo o país! Se o meu avô fosse vivo o Zézé Camararinha ao pé dele nem para lhe dar água! E mais, se os feitos dele tivessem sido nos tempos de hoje, tenho a certeza que ele já tinha um busto com os olhos tortos no aeroporto de Beja! Bem, eu depois de ver na CMTV uma reportagem sobre festas gays que se fazem por aí fora, pensei em fazer festas hétero. O mundo precisa de coisas diferentes! E agora as pessoas perguntam “e como é que você diferencia as pessoas que aparecem na festa, como sabe a sua orientação sexual?”. É fácil. Os homens héteros só bebem cerveja, vinho e gin sem aquelas coisas que lhe metem! Se eu vejo um homem beber gin com hortelã e bolinhas de mirtilo com paus canela ou uma vodka morango ou até mesmo uma Somersby, tocam logo os alarmes e mando os seguranças metê-los rua. Já no caso das mulheres, se observo que ela bebe minis com amendoins e tremoços e cospe as cascas ou pede um whisky com Água Castello, sei logo que se trata de uma infiltrada e mando metê-la na rua. Quanto às músicas e rituais da festa, passamos muito Quim Barreiros, José Cid e Graciano Saga enquanto fazemos comboios em redor de uma fogueira gigante, onde assamos linguiças e toucinho gordo. Se não fizesse disto profissão a tempo inteiro, gostava de abrir uma florista. Não é pelas flores em si, é só porque gosto de abelhas e como dizem que elas estão desaparecendo da Terra precisamos de lhes dar flores.
Crónicas de Ivan Valério: O organizador de festas para heterossexuais
